A batalha de Gomel

Ucrânia, verão de 508 d.c.

Era uma tarde sombria, fria e chuvosa. Apesar do temor perante as tropas inimigas espanholas, a nossa guarnição destacada pelo grande generalíssimo Tawada mantinha-se firme. Boa parte era composta pelos meus irmãos de armas, balesteiros experientes e treinados, a elite milanesa.

Tendo o rosto castigado pela pesada chuva, podemos vislumbrar da murada o inimigo avançando com uma torre de madeira em nossa direção e um aríete contra o nosso portão, quando finalmente a torre aportou a nossa muralha, uma companhia inimiga ao berros entrou em combate contra a companhia de infantaria pesada que nos acompanhava no pavimento superior, conseguimos repelir o inimigo dizimando aquela unidade e o aríete foi abandonado graças a nossa chuva de flechas que perfurava a coragem e a armadura dos invasores.

Infelizmente o inimigo estava suprimido de onagros, esses engenhos malditos conseguiram derrubar a nossa muralha em dois pontos separados. A princípio a infantaria dispersada por ordem do nosso comandante, um cavaleiro inexperiente, conseguiu segurar o avanço da soldadesca inimiga, porém com a entrada de duas companhias de cavalaria espanhola na refrega a situação se complicou, perdemos o nosso líder e as tropas inimigas furaram a nossa defesa.

De imediato eles abandonaram a luta se direcionando para o centro da cidade, seguido também por mais uma companhia de cavalaria inimiga que passou pela outra brecha da muralha, quase sem oposição e também cavalgou as pressas para o centro. Algumas tropas espanholas mantiveram-se na luta bravamente, porém foram dizimadas pelos nossos homens, isso nos custou pesadas baixas, tempo e como mais tarde ficamos sabendo, a batalha também.

Quando nos organizamos para buscar o inimigo que se empenhara no seio da cidade, tivemos a notícia que caiu como um raio em nossa moral. O comandante inimigo havia oferecido riqueza para o líder religioso de Gomel, tendo sido obrigado a aceitar a oferta e mediante a ameaça da espada espanhola em sua garganta, ele usou de sua influência junto à população que encorajada com a presença armada inimiga, nos repudiaram como um filho bastardo, não havia o que fazer, as perdas nas nossas fileiras foram grandes, somados ao cansaço e tendo sido hostilizados pela população, retrocedemos sendo expulsos daquela cidade a qual juramos proteger.

Recuamos sim, não pelo medo do aço frio inimigo, isso jamais. Mantivemos a nossa honra e juramos perante o senhor todo poderoso que um dia voltaríamos, a vingança há de cair como uma mão divina vindo do céu, esmagado as hordas espanholas e o povo traidor de Gomel.

Do diário do Sergente Maggiore Guilherme Letti

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